Paulo Futre e Carlos Secretário: Ninguém nos (lhes) pode roubar a esperança!... (artigo de José Neto, 145)

Espaço Universidade 26.08.2022 19:35
Por José Neto

Paulo Futre e Carlos Secretário tão distintos na sua fórmula de se envolverem na renovada construção da vida e tão próximos nas respostas perante esse eixo mediador do encontro com a dinâmica do que deve ser um profissional de Futebol, fazendo eco duma seriedade inabalável como defendiam as causas da sua existência.

Tive a honra de ter privado com estes dois expoentes máximos da prática: jogo-treino-jogo, no palco dos sonhos também apelidado de relvado, ouvindo cânticos apelativos de glória pelos rasgos inspiradores de ordem técnico-tático-competitiva de como se batiam perante o fervor da competição.


No F.C. Porto nas épocas 1984 a 1987, tive a felicidade de contar numa das minhas melhores universidades da vida, o jovem Paulo Futre. Sentia-se uma bela e explosiva dinâmica jovial e suprema, anunciando um sucesso antecipado. Quantas vezes a virilidade, a violência e a agressividade perante os adversários na disputa da bola, se via transformada em momentos de rara inspiração em movimento, onde a harmonia do gesto se tornava por vezes insubordinada sem ser perversa, mas sempre inspiradora e emocionalmente excitante. Era de facto um jogador grande de mais para caber num futebol agressivo, musculado e asfixiado, por isso se libertava!...

Forte, rápido e inteligente capaz de vencer resistências na presença da fadiga, e especialmente munido numa fé onde habitava a esperança. Quanto a mim foi nessa crença para os bons desempenhos, onde se gerou uma força aglutinadora que lhe fez despertar tanto talento, derivando para uma verdadeira consciência competitiva, onde se viu forjado o sucesso. A astúcia combinada com a coragem, fez com que rompesse fronteiras e na conquista da distância lhe viu conferida uma renovada magnitude entoada entre cânticos e louvores.


Encontrei também Carlos Secretário como jogador do S. C. Braga na época 92/93. Menos tempo de labor e dedicação à causa, contudo da sua presença apurei deste ilustre atleta uma solidez de princípios, uma firmeza de conceitos envolvidos por um sentimento ávido do relacionamento humano de partilha e cumplicidade, que aliás vi confirmada na qualidade de meu aluno no Curso de Treinadores e de dirigente de classe do núcleo de Treinadores da A. F. Aveiro.

Dizia o meu querido Professor Manuel Sérgio: “ser atleta excecional ou até genial é sem dúvida alguma saber distinguir-se pelos primórdios técnicos, pela inteligência tática e pelo rendimento superior em relação aos demais … mas sobretudo, é essencialmente estar numa fiel relação com todos eles. Fora desta dialética de distinção e de integração, o atleta excecional não se pode compreender”.


De Carlos Secretário, guardo sempre um leve sorriso dum dedicado e respeitoso trato que se lhe advinha dum sentido crítico e reflexivo, que a sua personalidade séria se via sempre comprometida com o conhecimento.


Tenho referido inúmeras vezes que no Futebol, como na vida, muitas vezes encontramos uma loucura de trato envolta numa linguagem atrevida pela demência das ideias e conflitos entre aqueles que o consomem, prisioneiro das malhas da grosseria e bestialidade.

Com Carlos Secretário e Paulo Futre recebi ao longo do tempo uma relação de intimidade e afeto misturada por muitos sorrisos, beijos e abraços, vivenciando os ecos de glória do temp(l)o passado, no sentido de ver apressado o generoso encontro com o futuro.


Neste momento que a vida lhes atormentou a passada na viagem do tempo, quero de forma firme e convicta dizer que também aqui temos campeonatos e jogos para vencer. Só um jogador que sente a fragilidade do encontro é que pode ir de forma mais acesa ao fundo da alma e sacar o que lhe resta, porque um ganhador é aquele que é capaz de omitir a palavra problema e enfatizar o termo desafio. Transporta na alma as pegadas da experiência vivida e no rosto o certificado do sofrimento. Vai à luta e GANHA.


Queridos Paulo Futre e Carlos Secretário: jamais deixarei de exaltar por vós este meu sentimento de estima e afeto, pelo qual converterei em gratidão e aplauso. Que Deus vos abençoe e proteja. Um abraço de coração para coração!...


José Neto: Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto; Formador de Treinadores F.P.F./U.E.F.A.; Docente Universitário – Universidade da Maia; Embaixador Nacional de Ética e Fair Play no Desporto.


Ler Mais
Comentários (0)

Últimas Notícias