Ronnie propõe-se criar banco alimentar

Snooker 18.08.2022 17:53
Por António Barroso

O inglês Ronald Antonio (Ronnie) O’Sullivan, de 46 anos, número um do ranking e heptacampeão mundial de snooker (2001, 2004, 2008, 2012, 2013, 2020 e 2022), anunciou a intenção de criar um banco alimentar para combater a fome e prover os mais necessitados de comida na mesa.


Profissional há 30 anos (desde 1992) e recordista de vitórias em provas de ranking na era moderna desta variante do bilhar, com 39 conquistas – das quais sete Campeonatos do Mundo, um recorde que partilha com o escocês Stephen Hendry -, o ‘Rocket’, que passou o dia de Natal de 2021 a distribuir comida aos sem-abrigo londrinos, gostou da experiência e pretende deixar marca na sociedade para além da mesa.


De há muito adepto do ‘jogging’ – corre diariamente 10 mil metros, e consegue-o em 35 minutos –, de comida saudável (já escreveu um livro, a meias com a sua nutricionista, Rihannon Lambert) e da escrita, onde já assinou outros quatro livros (duas autobiografias e duas obras de ficção), Ronnie, também já comentador televisivo de snooker (EuroSport), quer ajudar os muitos que, com a crise económica e a recessão, se debatem com inusitadas dificuldades para as necessidades mais básicas, como um prato de comida e um teto para dormir.


«Preciso de desafios destes. É muito perigoso para um desportista investir só na carreira. Vejo-o com os jogadores de snooker: dão tanto de si pelo snooker, que, quando acabam a carreira, se debatem com a interrogação ‘quem sou eu, que posso fazer?’», afirmou Ronnie ao podcast ‘The Climb’ (‘a escalada’).


«Não quero ser uma dessas pessoas que acaba a carreira e se sente perdida. É importante termos um objetivo na vida. Estou sempre em busca de um novo propósito existencial, e não pode ser snooker. É muito exigente e difícil, e pessoal. Investires todo o teu tempo e energias e isso, de repente, ser-te tirado, não por causa de algo que fizeste, deixa-te na dúvida ‘se não posso jogar, que fazer?’ A transição é difícil», admite O’Sullivan, sempre em busca de outras atividades para lá da mesa, e cada vez mais próximo do fim de uma carreira cuja longevidade e número de títulos desfazem dúvidas.


«Acordei um dia e pensei nas semanas seguintes a ter ganho o Mundial-2022. Na primeira, estava totalmente com as baterias em baixo e nada me apetecia fazer, exaurido. Lá consegui despertar do torpor, mas tomei consciência de que vencer não foi a mesma coisa do que quando ganhei o torneio pela primeira, terceira ou quarta vez. Percebi que preciso de dar um novo sentido à minha vida, que me faça mais feliz», disse Ronnie sobre a maturação da ideia.


«Pensei e percebi o que tenho de fazer: tenho de abrir um banco alimentar, para pessoas que não têm o mais básico da vida, como uma porção de comida. Provavelmente, será a próxima coisa que vou fazer. Já trabalhei com um, em Walthamstow, e gostei da experiência», disse o ‘Rocket’, ausente do European Masters, que decorre em Fürth (Alemanha) com uma lesão no cotovelo, mas que é esperado participar, fazendo dupla com a compatriota Reanne Evans, no Mundial de Pares Mistos, a 24 e 25 de setembro.


«No último dia de Natal, ajudei e gostei. Mas fazem-no todo o ano. Vi os outros que estavam a colaborar, o que fazem e como o fazem. E que bem soube estar ali, a distribuir comida a quem precisa. Tudo encaixou na perfeição, senti que pertencia ali. E só é preciso as pessoas dedicarem algum do seu tempo disponível, sem quaisquer contrapartidas, ao contrário de apenas doar, retribuir» afirmou Ronnie.


«Estou numa fase da minha vida em que preciso de desafios diferentes, deste tipo, e de coisas que nos façam sentir bem comigo próprio», rematou o ídolo dos panos verdes, disposto a meter mãos à obra, depois de ter embolsado meio milhão de libras (€600 mil) só com o sétimo título mundial, a 2 de maio, e com mais de £11 M (€12 M) ganhos na sua carreira.

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