Roger Schmidt contra um 3.º lugar historicamente pesado

Benfica 14-05-2022 05:08
Por Nuno Pedro Fernandes

Arredado da luta pelo título em fase estranhamente precoce, olhando à indiscutível dimensão e tradição do Benfica, a águia chegou, esta época, a sonhar ainda com um inesperado roubo do 2.º lugar a um dos seus eternos rivais, o Sporting, todavia, a irregularidade que afetou as águias ao longo da temporada acabaria por voltar a punir os encarnados e a afastá-los desse desiderato, fechando a época no 3.º lugar.

 

Os encarnados encerraram assim esta temporada desportiva sob o comando de Nélson Veríssimo — que rendeu Jorge Jesus, treinador que deixou o Benfica três dias após a goleada, por 7-1, sobre o Marítimo (15.ª jornada), pouco antes do fecho da primeira volta, a 28 de dezembro de 2021 — e o jovem treinador português de 45 anos (até então liderava a equipa B das águias, deixando-a no comando da Liga 2), repetiu o mesmo 3.º lugar do consagrado JJ em 2020/21.

 

Terminar a corrida do campeonato dois (ou mais) anos seguidos abaixo do 2.º lugar é algo que, de resto, os adeptos do clube da chama imensa não vislumbravam há 16 anos, mais concretamente desde o quadriénio 2005/09, então com o Benfica recém-acabado de encerrar o seu maior jejum de campeão nacional de sempre (uma década), sagrando-se campeão com Giovanni Trapattoni (2004/05), mas incapaz de dar continuidade ao bom trabalho do lendário técnico italiano, passando os quatro anos seguintes a fechar o campeonato longe do título: 3.º (2005/06), 3.º (2006/07), 4.º (2007/08) e 3.º (2008/09), seca saciada na época de estreia de Jorge Jesus, em 2009/10.

 

Antes, registam-se ainda um quadriénio abaixo do 2.º lugar, entre 1998 e 2002 — 3.º (1998/99), 3.º (1999/2000), 6.º (2000/01) e 4.º (2001/02) e um bem longínquo triénio — então acabado de sagrar-se tricampeão, às ordens do jovem húngaro de 33 anos Lippo Hertzka, com os mesmos 23 pontos do FC Porto, mas com vantagem no confronto direto — entre 1938 e 1941: 3.º (1938/39), 3.º (1939/40) e 4.º (1940/41).

 

Contas feitas, 2.500 jogos depois do primeiro pontapé de saída, o Benfica, sempre que repetiu um 3.º lugar, nunca, em momento algum da sua história se ficou por duas épocas consecutivas abaixo do 2.º posto e, como tal, é precisamente contra esta pesada herança que, a partir da próxima temporada, Roger Schmidt, novo treinador das águias, terá de lutar e procurar deixar a sua marca, pela positiva, no clube que, em 88 presenças no escalão máximo português (totalista), foi campeão por 37 vezes e terminou como vice em 28 ocasiões.

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