Borja Valero no assalto mediático do CS Lebowski

Itália 26-09-2021 11:02
Por Pedro Cadima

Borja Valero surpreendeu o mundo do futebol com a sua incorporação num clube amador italiano, que disputa a Promozione, equivalente à 6.ª Divisão, após terminar contrato com a Fiorentina, aos 36 anos. O credenciado médio espanhol já se estreou, inclusive, pelo Centro Storico Lebowski, discreta agremiação de Florença que causara impacto pelo seu nome e símbolo, integralmente alusivos a uma singular fonte de inspiração saída da cabeça dos irmãos Coen: o filme Big Lebowski e o seu personagem central The Dude, interpretado por Jeff Bridges. Não arrasou nas bilheteiras mas o dudeísmo virou até doutrina mundial, atraindo uma conexão fortíssima com o perfil despreocupado do protagonista, anestesiado por remédios herbanários, mesmo metido numa fita de gangsters.

No Centro Storico Lebowski a despreocupação é o dinheiro e toda a máquina de interesses associada ao futebol moderno. A representatividade do clube está nos sócios, mesmo tendo sociedade de acionistas a discussão interna confere a todos o mesmo poder. É um clube formado por estudantes, estudantes de Florença desiludidos com o futebol negócio e com a perda progressiva, esmagadora para a alma, do sentimento de pertença, em que o clube é o primeiro bastião de uma comunidade.

 

Não se tratando de uma equipa de bairro, encarna a sua pertença a Florença - o amor pela Fiorentina esfumou-se pelas entranhas de uma Serie A tomada por outras prioridades - e ao seu apaixonante centro histórico.

As seis temporadas de Borja Valero no conjunto viola aproximaram-no da raiz preconizada pelos jovens idealistas da cidade que abraçaram um regresso ao passado, medido nos valores e na paixão, olhando ao futebol pelo compromisso de estender os papéis da comunidade, fortalecer vínculos sociais, educar e formar, abrir portas  inclusivas. Funcionamento semelhante ao FC United, de Manchester, ou ao UC Ceares, das Astúrias.

«Vi entusiasmo e organização. Revi-me nos seus ideais», declarou Borja nas suas primeiras palavras como jogador do CS Lebowski, apresentado ao lado de duas mulheres: Ilaria Orlando, a presidente, e Matilde Emiliani, a vice-presidente. Outra marca sublime e reveladora do caminho traçado internamente, onde a pluralidade e diversidade são bandeiras, sem o ser, pretende-se mais a assunção da normalidade, «subvertendo todas as injustas relações de género», e a entreajuda se baseia como chave de toda a existência. O Centro Storico Lebowsi é um guião sobre a amizade e sobre aquele clube a que queremos pertencer quando somos novos e que pensamos poder ajudar numa ascensão épica à 1ª Divisão, sem ferir valores ou atropelar etapas, sem dispensar ajudas numa bela convivência de tarefas, ou desprezar quem fez parte do caminho.

«Foi uma grande emoção. Ver todas aquelas pessoas no estádio, a cantar e apoiar-te mesmo depois de uma perda. É a melhor parte deste desporto», assim comentou Borja a sua estreia no diário La Repubblica, onde também reconheceu que podia ter sido feliz sem o futebol.

Rui Costa ou Sporting?

Em Florença todos estão atentos a Rui Costa, um herói no Artemio Franchi, endeusado até hoje pela parceria com Batistuta. No CS Lebowski há acompanhamento dos novos passos dados pelo mago da camisola 10, agora como presidente do Benfica. Mas há outras implicações sentimentais mais fortes relacionadas com Portugal.

«Para muitos de nós, ferrenhos adeptos da Fiorentina, Rui Costa é um verdadeiro mito. Mas não sei se podemos pensar num jogo com o Benfica, porque os nossos adeptos, por extensão da Fiorentina, conservam uma grande amizade com os do Sporting. Não sei se um jogo Lebowski-Benfica seria bem visto na cidade mas era uma oportunidade de realmente medir se é mais forte o nosso amor por Rui Costa ou a antipatia pelo Benfica», brinca Matthias Moretti, que faz parte da estrutura, é a voz do aparelho de comunicação.
 

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