«Há um leão nas minhas costas, a pobreza!»

Casa Pia 05-09-2021 14:41
Por Rafael Batista Reis

Estremo Saviour Godwin brilha em Pina Manique e, na última jornada. assinou um hat trick frente ao Benfica B. Associado a SC Braga e Boavista no defeso, acabou por ficar no Casa Pia, depois de também ter tido a hipótese de rumar ao Spezia. O nigeriano não esquece as origens difíceis e aproveita cada momento para crescer e perseguir os sonhos.

Até agora e desde o momento em que chegou que é considerado uma das figuras do Casa Pia. Acredita que encontrou o melhor de si em Portugal?
- Sim, quando vim para Portugal e para o Casa Pia esta foi uma equipa de que realmente gostei por estar a ajudar ao meu desenvolvimento enquanto jogador. O clima é similar ao que tinha em África. Quando estava na Bélgica senti muito frio. Portugal é um país que está a ajudar-me muito a ganhar maturidade de tantas maneiras e a ser essencial para o meu crescimento enquanto futebolista.

Na última jornada foi destaque ao marcar três golos na vitória (4-2) sobre o Benfica B. Considera esta a sua melhor exibição ao serviço do clube?
- Por vezes no futebol há alturas em que se joga bem e não se marca… Não sei, no jogo com o Benfica simplesmente aconteceu: joguei, marquei e no fim foram três golos. É o mais importante. Mas para mim o jogo com o Vitória de Guimarães, uma equipa da Liga [para a Taça da Liga, em julho], foi o meu melhor. Mas não marquei e a equipa não venceu. O futebol é assim.

 Tem estado em excelente nível nesta Liga 2. O que considera ainda poder melhorar para atingir patamares superiores?
- Acredito que no futebol não há jogadores perfeitos. Temos de nos treinar todos os dias e ir para o treino para aprender. Depende de como o treinador queira como eu jogue, depende se ele quer que jogue como ponta de lança ou a extremo e me diga o que tenho de fazer. Acredito que isto é melhorar, é o caminho que tenho de percorrer como futebolista. Não vou dizer que sou completo. Tenho de avançar em todos os aspetos e evoluir cada pormenor, cada dia que passa quero melhorar mais... Quero ver algo novo nas minhas capacidades como jogador e na minha carreira.

Neste mercado de inverno foi relacionado a clubes de nomeada, como o Boavista e o SC Braga. Como reage a este interesse? Sente-se mais valorizado?
-Antes de mais, é realmente uma honra ver equipas como estas a abordarem-me. Acredito nas decisões que tomo e nas pessoas que estão a cargo da minha carreira e se me disserem: ‘OK, é tempo para ires e é bom’, porque não?’ Ficaria feliz por ir para um clube como estes, o SC Braga é um clube muito grande em Portugal e o mesmo se aplica ao Boavista. Aparecer perspetivas como estas é sempre importante, claro. Sinto-me honrado por clubes como estes terem reparado em mim, é muito bom, naturalmente.

Antes de representar o Casa Pia, jogou alguns anos Bélgica, no Oostende (Liga) e Roeselare (2.ª Liga). Uma experiência desse tipo deixou-o mais preparado para o desafio que está a abraçar em Portugal?
- Sim, sim, quando vim para a Europa, cheguei  muito jovem. Fez de mim o homem que sou agora, faz parte do processo pelo qual me submeti para me tornar o Saviour Godwin que vemos hoje. No início nunca é fácil porque sabemos que deixamos África para ir para a Europa e não queremos voltar para trás, por isso cada dia é uma caminhada e sempre defini um alvo para mim. Digo sempre que cada vez que acordo há um leão nas minhas costas, a seguir-me. E sabe quem é o leão? O leão é a pobreza! Em África, enfrentamos muitas situações de pobreza, em que não temos o que comer. Por isso, sei que tenho uma grande responsabilidade. Para mim, o leão é essa pobreza e as pessoas que tenho de ajudar e por isso cada vez que vejo um leão quando acordo isso ajuda-me a crescer e todos os dias eu puxo até me tornar quem sou hoje.

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