Vamos regressar ao futuro (4) (artigo de José Neto, 121)

Espaço Universidade 01-04-2021 15:55
Por Redação

Dando nota duma publicação “Tempo Pandemónico” que me foi ofertada pelo meu distinto amigo Juiz Conselheiro Dr. João Magalhães em que citando José Luís Borges, referia: “a citação pode ter lugar por modéstia ou orgulho. Por modéstia por se reconhecer que um pensamento vem de outro e nos contentamos em reproduzi-lo. Por orgulho porque é mais digno e cortês orgulharmo-nos das páginas que lemos, do que daquelas que escrevemos”.

 

Sendo assim, vou ilustrar o tema de hoje apoiando-me num dos autores que registo de significado de muito particular relevo nas minhas reflexões (Augusto Cury) e numa das suas obras de referência e que muito nos pode auxiliar neste momento de intranquilo estado de confinamento: “Nunca desista dos seus sonhos”.

 

Um dia, uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe: «Que tamanho tem o Universo?». Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: «O Universo tem o tamanho do teu mundo».

 

Perturbada, ela indagou novamente: «Que tamanho tem o meu mundo?». O pensador respondeu: «Tem o tamanho dos teus sonhos».

Os sonhos trazem saúde à emoção e cavam fundo os alicerces onde podemos construir os nossos castelos. Como referia Henry Thoreau (1817-1862): “todos podemos ter o sonho de construir castelos no ar … só que temos de arranjar ferro, areia e cimento para os sustentar. O ferro representado pela coragem, a areia pela dignidade e o cimento pela honestidade.”

 

Perante dolorosas tormentas, conflitos nos relacionamentos, crises existenciais, podemos ter duas opções: ou nos tornamos reféns clandestinos, desposados de esperança na reconquista do futuro, ou nos transformamos, movidos por um foco libertador duma consciência devidamente ancorada por uma energia emocional no reencontro da paixão pela vida.

 

Neste impiedoso e inquietante estado de sítio que a pandemia nos “presenteou”, torna-se fundamental converter a frustração pela audácia, a timidez pela coragem, a amargura pelo otimismo, descobrindo a capacidade para sonhar, amar, tolerar, perdoar, inserindo esse ato solidário num código de valores existenciais.

 

Uma vez que estamos em tempo quaresmal, podemo-nos inspirar por Aquele (JESUS CRISTO), que escolheu uma equipa de jovens um tanto despreparados para a vida, no sentido de colocar em marcha um grande projeto, lapidando a sabedoria duma personalidade coletiva infligida por uma certa rudeza, tornando-os capazes de “incendiarem” com um discurso contagiante o mundo das ideias, conferindo dignidade à própria existência.

JESUS CRISTO, pelo sonho da liberdade, explorava o sentido da escolha, o exercício da humildade e do amor pelo próximo, pelo sonho da eternidade, tendo plena consciência das consequências biológicas e psicológicas da morte, discursava sobre a melhor forma de superação e pelo sonho da felicidade extraía sabedoria dos erros, alegria das dores e coragem dos fracassos.

 

Perante a morte que O cercava, ELE homenageava a vida, doutrinando sobre as mais belas lições de inteligência, administrando a arte de ser solidário, sem subir ao palco dos imperadores, mas na quietude dos desprotegidos, com a dignidade dos humildes foi capaz de exercer o exemplo da singeleza e lavar e limpar os pés aos mais despojados dos infelizes, e após ter sido dilacerado, exasperado pela tortura e esmagado pela dor física no caminho do calvário, quando martirizado na cruz, pediu perdão a quem indesculpavelmente o crucificou!…

 

Sem pressionar ninguém para O seguir o MESTRE DOS MESTRES instituiu uma doutrina que milhões e milhões de pessoas de todas as religiões e de todas as culturas e raças fazem ainda hoje eco das Suas ideias, tendo a ousadia de converter a fragilidade dos mais fracos em competência dos mais corajosos, desapertando as algemas da solidão para se constituírem autores da sua própria história.

 

Vamos nesta hora do presente por vezes tão enublado como sombra que se move, ao encontro dum sinal de luz onde possa repousar a esperança, separando o ontem do amanhã. (continua)

 

José Neto: Doutorado em Ciências do Desporto; Docente Universitário; Investigador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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