EUA sem camisola 15 no Mundial em tributo a Brittney Griner

Basquetebol 22.09.2022 18:19
Por Redação

A seleção feminina de basquetebol dos EUA homenageou esta quinta-feira a compatriota Brittney Griner, de 31 anos, bicampeã olímpica (Rio-2016 e Tóquio-2020) e Mundial (2014 e 2018) pelas norte-americanas, com a não atribuição da camisola 15, número que a base das Phoenix Mercury – detida na Rússia e condenada a nove anos de prisão por posse de uma grama de cannabis num óleo de massagens - habitualmente envergava, entre a equipa que iniciou neste dia, em Sydney, a participação no Mundial da Austrália-2022.


No jogo de estreia das norte-americanas na 19.ª edição da competição, no Sydney Super Dome, as norte-americanas, decampeões nas 18 anteriores edições desde 1953 e tricampeãs nas três últimas (2010, 2014 e 2018), Brittney Griner, cujos advogados interpuseram recurso da sentença decretada pelo tribunal de Khimki (Rússia) foi a ausente omnipresente e lembrada por todos(as).


A prova organizada pela FIBA iniciou-se neste dia e irá decorrer até 1 de outubro, com 12 seleções finalistas em dois grupos, depois de a Rússia ter sido excluída e substituída por Porto Rico, e de o Mali ter rendido a Nigéria (que desistiu).


Na 1.ª jornada da fase de grupos, no Grupo A os EUA bateram a Bélgica por 87-72, Porto Rico superiorizou-se à Bósnia-Herzegovina por 82-58 e a China cilindrou a Coreia do Sul por 107-44. Já nos jogos inaugurais do Grupo B, a anfitriã Austrália foi vencida pela França (57-70), o Japão ganhou ao Mali (89-56) e o Canará superiorizou-se à Sérvia (67-60).


Mas foi de Brittney Griner, detida a 17 de fevereiro no aeroporto de Moscovo, quando regressava aos EUA após aproveitar a pausa da liga profissional norte-americana (WNBA) para representar por alguns meses a equipa do principal escalão da Rússia do UMMC Ecaterimburgo, que todos se lembraram: é a primeira vez que os EUA não equipam com os dígitos do 4 a 15 nas suas jogadoras, em tributo à base, internacional norte-americana desde 2013.


«Ela está todos os dias nos nossos pensamentos, queremos homenageá-la. Ninguém vai usar o número 15. Queremos continuar a contribuir para Brittney ser recordada e saber que estamos com ela» disse a selecionadora dos EUA, Cheryl Reeve, à ESPN.


«É horrível pensarmos que ela ainda está lá [na Rússia] detida e não aqui, como deveria. É parte integrante desta família, todos aprendemos muito com ela», afirmou Jewell Lloyd, companheira de Brittney na última seleção olímpica dos EUA.


A meio deste mês de setembro, o Presidente dos EUA, Joe Biden, recebeu a companheira de Brittney, Cherelle Griner, que insistiu em que o país tente por todos os meios a sua libertação e regresso a casa, tendo obtido do líder da administração norte-americana – que a classificou como «refém» e «detida por engano» - a garantia de que os esforços para resgatar a basquetebolista, assim como o antigo fuzileiro Paul Whelan da Rússia estão em curso.


Reflexo da decisão judicial dos tribunais russos, muitas basquetebolistas norte-americanas que, por norma, aproveitavam a pausa de quatro meses entre épocas da WNBA para assinar por clubes russos e amealhar experiência e dinheiro nesse período, têm invariavelmente declinado convites para representar equipas do país presidido por Vladimir Putin – mesmo com salários atrativos, na ordem do milhão de dólares/ano -, antes optando por jogar noutros países europeus como a Turquia, Itália e Hungria.


Foi o caso de Breanna Stewart, companheira de Griner na seleção dos EUA e também no UMMC Ecaterimburgo, da Rússia: declinou voltar. «Honestamente, passei uns meses maravilhosos na Rússia, mas enquanto Brittney não voltar aos EUA, basquetebolista norte-americana alguma lá aceitará de novo jogar. A pressão deve começar na Casa Branca. A melhor forma de a homenagearmos é trazer o ouro de Sydney», disse Stewart à televisão norte-americana.


Na 2.ª jornada da fase de grupos do Mundia-2022, que se inicia ainda nesta quinta-feira e prolonga por sexta-feira, dia 23 do corrente mês, o programa de jogos do Grupo A contempla os encontros EUA-Porto Rico, Bélgica-Coreia do Sul e Bósnia-Herzegovina-China no Grupo A.


Japão-Sérvia, Canadá-França e Bélgica-Coreia do Sul são os três jogos da 2.ª jornada do Grupo B. As quatro primeiras seleções de cada grupo apuram-se para os quartos de final, a realizar nos dias 28 e 29 do corrente mês, com as meias-finais agendadas para dia 30 e a final da prova a 1 de outubro, sempre em Sydney - ou no Sydney SuperDome, ou no Sydney Sports Centre, palcos do Mundial Feminino da FIBA Austrália-2022.

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