«Erros graves da organização retiraram-nos o título de campeão»

Atletismo 30-11-2021 09:48
Por Rogério Azevedo

Carlos Silva, diretor técnico do atletismo do Sporting, esclareceu a A BOLA que a razão do protesto dos leões após a conclusão da corrida masculina no Nacional de corta-mato longo, em Vale de Cambra, não se deveu «a azia pela derrota com o Benfica», até porque diz respeitar imenso os encarnados e porque, assegura, «apenas somos rivais nas pistas, nas estradas e nos corta-matos».
 

A equipa leonina acabou por não comparecer no pódio coletivo masculino «como forma de protesto», por considerar que lhe foi retirado o título. «De resto, em todos os outros pódios conquistados, estivemos presentes», afirma Carlos Silva.
 

O motivo do protesto do Sporting conta-se de forma simples e há até um vídeo público que o comprova. A pouco mais de 100 metros da meta, após uma curva, com muitos participantes dobrados pelo caminho que impediam a visibilidade, os atletas teriam de virar à esquerda para a reta da meta e, para aumentar a confusão, os juízes resolveram esticar uma corda no meio da bifurcação para tentar fazer a separação, impossível naquelas condições, entre os participantes que iam para a chegada e aqueles a quem faltava ainda cumprir uma ou mais voltas.
 

Porém, ao permitir a presença de mais de 400 atletas, entre primeiros planos e amadores, «para alimentar o ego e poder dizer que teve um recorde de participantes», acredita Carlos Silva, a confusão instalou-se, até porque a Federação Portuguesa de Atletismo permitiu que, de início, se realizassem duas voltas com apenas 500 metros cada. E, desde cedo, houve atletas com diversas voltas de atraso.
 

Samuel Barata (Benfica) passou em primeiro, Miguel Marques (Sporting) surgiu dois metros atrás, um atleta dobrado seguia atrás deste, mas acabou por derivar para a direita, Rui Teixeira (Sporting) foi para a direita e só dez metros à frente, quando se apercebeu de que estava na direção errada, passou por cima da corda e seguiu atrás de Barata e Marques.

 

Ligeiramente à frente de Rui Teixeira estava Rui Pinto (Sporting), que não foi devidamente auxiliado pela organização e foi pela direita. Quinze metros atrás, apareceu Duarte Gomes (Benfica), que só se colocou na direção certa após ter passado por baixo da corda, enquanto amadores saltavam no sentido contrário. Oito segundos depois, reapareceu Rui Pinto a correr na direção correta. Fora, entretanto, ultrapassado por Rui Teixeira, Duarte Gomes e André Pereira (Benfica).
 

A 100 metros da meta, queixam-se os leões, o Sporting liderava coletivamente com 16 pontos (2. º, Miguel Marques; 3.º, Rui Pinto; 4.º, Rui Teixeira; 7.º, Miguel Borges) contra 20 do Benfica (1.º, Samuel Barata; 5.º, Duarte Gomes; 6.º, André Pereira; 8.º, Alexandre Figueiredo). No final, porém, com a indução em erro de Rui Pinto, a classificação acabaria assim: Benfica com 17 pontos (1.º, Samuel Barata; 4.º, Duarte Gomes; 5.º, André Pereira; 7.º, Alexandre Figueiredo) e Sporting com 19 (2. º, Miguel Marques; 3.º, Rui Teixeira; 6.º, Rui Pinto; 8.º, Miguel Borges).

 

Carlos Silva reafirma que «os erros graves» da organização da prova «retiraram ao Sporting o título de campeão nacional masculino».
 

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