Mark Selby tetracampeão mundial

Snooker 03-05-2021 22:15
Por António Barroso

O inglês Mark Selby, de 37 anos, n.º 2 do ranking e que já havia vencido os Campeonatos do Mundo de Snooker de 2014, 2016 e 2017, sagrou-se na noite desta segunda-feira tetracampeão mundial desta variante do bilhar, ao vencer, na final da edição do corrente ano da prova maior da época 2020/2021 da World Snooker, o compatriota Shaun Murphy, de 38 anos, 5.º da hierarquia (e campeão mundial em 2005), por 18-15, em Sheffield (Inglaterra).

 

Depois de 2014 (18-14 ao inglês Ronnie O’Sullivan na final), 2016 (18-14 ao chinês Ding Junhui do grande jogo) e 2017 - 18-16 a John Higgins no duelo decisivo, permanecendo o escocês o único a ter vencido Selby numa das 4 finais que este jogou no Crucible (13-18, em 2007) -, Mark Selby chega, após a sua 5.ª final, ao ‘tetra’ e a quarto título mundial em apenas 7 anos (e 8 Campeonatos do Mundo), a demonstrar apetência e resistência singulares no ‘teatro dos sonhos’. Iguala o ‘feiticeiro de Wishaw’ (precisamente Higgins), que ali se sagrou tetracampeão (1998, 2007, 2009 e 2011) e conquista o seu 20.º título em provas de ranking, 9.º 'Triple Crown (Tripla Coroa, 4 Mundiais, 3 Masters e 2 UK Championships).

 

O profissional de Leicester é já, a par de Higgins, o 4.º mais vitorioso e melhor de sempre da história no Crucible (desde 1977, era moderna do snooker): só o escocês Stephen Hendry, com 7 títulos na década de 90, e os ingleses Steve Davis (6 títulos, na década de 80 também do século XX) e Ronnie O’Sullivan (6 títulos desde 2001) alcançaram melhor ali. O galês Ray Reardon também alcançou 6 títulos na década de 70, mas apenas um, o derradeiro, no recinto de Sheffield (1978),

 

Em 7 anos, 8 Campeonatos do Mundo - desde o Mundial-2014 -, e em 29 duelos no Crucible, Selby venceu 25 e perdeu módicos 4 jogos no mítico palco. Autores da ‘proeza’, ante profissional mentalmente fadado para resistir à tempestade perfeita no olho do furacão? O escocês Anthony McGill, nos ‘oitavos’ de 2015 (9-13) – encarnou ‘maldição do Crucible’ (campeão inédito não bisa no ano seguinte) - e os seus compatriotas ingleses Joe Perry (4-10) nos ‘16avos’ de 2018, Gary Wilson, nos ‘oitavos’ da edição de 2019 (10-13) e Ronnie O’Sullivan, nas meias-finais em 2020 (16-17).

 

Eis o melhor resumo de um campeão talhado para resistir à exaustão física e mental os rivais e vencer, qual Minotauro que apanha (quase) sempre a presa uma vez dentro do labirinto. E quando só há uma mesa no Crucible – a partir das ‘meias’ -, Mark Selby, desde a final perdida para Higgins, em 2007, ou seja, nos últimos 14 anos, perdeu um só jogo ali: nas ‘meias’ de 2020 com o ‘Rocket’  (16-17). Ou seja, quando a pressão sobe, é uma proeza vencer este paradigma de resistência singular.

 

Empate durante a tarde (4-4) e Murphy ainda longe

 

Depois dos 3-5 favoráveis a Shaun Murphy - que tentava, na sua 4.ª final, segundo título, 16 anos decorridos desde que ali festejou a conquista… vindo das qualificações (2005) – na 1.ª sessão, e de ter Selby ter ligado o ‘modo congelador’ na 2.ª sessão, ainda domingo, para confirmar ser o maior génio defensivo que esta variante do bilhar conheceu na era moderna, a 3.ª sessão, que acabou 4-4.

 

Selby secou a pólvora que o ‘mágico’ Murphy tinha em abundância no seu jogo ofensivo longo para vencer a 2.ª das 4 partes do jogo por expressivo 7-2 - em inenarráveis, prolongados (até à exaustão mental e não haver mais unhas para roer) mas absolutamente legais e válidas 4 horas e meia à mesa para se jogarem 9 parciais -, o ‘tubarão’ (Mark ‘The Shark’ Selby) chegou na frente por 10-7 ao segundo e decisivo dia da final.

 

Ficou muito mais próximo da meta dos 18 parciais durante a tarde, em que, caso vencesse mesmo as 8 partidas previstas, dispensaria até sessão noturna. Que só se teve a certeza que haveria mesmo quando Murphy, após Selby falhar vermelha, deixou jogo para Shaun, com entrada de 77 pontos, fazer o 8-10 a abrir a 3.ª sessão.

 

A bola final (preta) falhada para o meio por Murphy mas não por Selby ditaria o 11-8 após intenso 19.º parcial, em que entrada de 62 pontos de Mark quase não chegava para reclamar a vitória. Vingança logo após, com grande azul longa do ‘mágico’ Murphy a selar o 9-11: Selby, com entrada de 51 pontos, falhou preta do ponto, e teve o troco do sucedido no ‘frame’ anterior. Foi preciso esperar pelo 21.º parcial para se ver uma centenária na final: limpeza de mesa de 107 pontos de Selby para 12-9.

 

O ‘tubarão’ Selby ampliaria para 13-9 no reatamento após o descanso (entrada de 54 pontos) mas uma uma verde falhada por Mark deu a Shaun a hipótese da sua primeira centenária na final (110 pontos) e o 10-13. Estupenda limpeza de mesa de Murphy valeu o 11-13, e o punho cerrado do ‘mágico’ a tentar encostar (a 12-23) no último parcial da tarde, mas entrada de 62 pontos de Selby valeu o 14-11, a recolocar os 3 de vantagem com que iniciara o dia à partida para noite: faltavam-lhe quatro…

 

Campeão personifica a determinação

 

Na grande decisão, à noite, uma rosa falhada para um dos buracos do meio por Shaun foi punida por um Selby que no Crucible é autêntico homem numa missão, e a verdadeira determinação em forma de gente: entrada de 66 pontos, e 15-11. Faltavam três a quem começou por outra variante do bilhar, o pool, e não por acaso se sagrou também campeão mundial nela (‘8 Ball’, 2006).

 

Com mais de 9 horas de batalha (!) já nesta altura (27.º parcial) Murphy ia com 30 pontos mas a branca entrar num dos buracos do meio parecia não ir chegar para Selby, já nos 44, somar mais um ‘frame’. Uma boa defesa de Shaun (branca atrás da castanha) permitiu-lhe 43 pontos para limpar até à rosa, e atenuar 12-15.

 

Duas entradas a somar (40 e 68 pontos) permitiram a Selby arrebatar a 28.ª partida, e o 16-12. Sempre a perseguir, Murphy conseguiu o 13-16 (‘break’ de 59 pontos) antes de Mark Selby arriscar vermelha corajosa para o meio e limpar a mesa de centenária (120 pontos) para ficar a um da meta: 17-13.  Resposta imediata de Shaun, já sem margem de manobra: centenária (100 pontos) para 14-17, a não se dar por rendido, como se pede a um campeão, protagonista de estupendo Mundial.

 

O ‘mágico’ salvou o primeiro ‘match point’ com bravura e soltou-se: nova centenária a limpar a mesa (110 pontos) no 32.º parcial, para o 15-17 e relançara dúvida quanto ao vencedor do 45.º Campeonato do Mundo no Crucible, ao fim de… 11 horas (!) de jogo, nesta altura. Tremendo.

 

Emoção e drama no ‘teatro dos sonhos’ quando o cerebral Selby, após Murphy deixar vermelha acessível na tacada de abertura, falhou a 38-0. Shaun, a comemorar cada ‘frame’ de punho cerrado e com a audiência, saltou da cadeira que nem um leão para tentar terceiro parcial de rajada e encostar a 16-17.

 

O ‘mágico’ perdeu posição a 22 pontos e deixou uma encarnada para Selby, que a 38 vacilou e falhou vermelha para o canto mais próximo da bola verde. Shaun foi até aos 55 pontos mas deixou a última das encarnadas à porta para Selby limpar… e se sagrar tetracampeão com todo o mérito e justiça, 18-15.

 

O Mundial fechou a época 2020/2021 da World Snooker Tour. Iniciou-se dia 17 de abril e acabou esta segunda-feira, dia 3 do corrente mês, no Crucible Theatre, em Sheffield (Inglaterra).

 

Transmitido para Portugal, (EuroSport), o torneio distribuiu £2,385 milhões (€2,740 milhões) em prémios, e £500 mil (€574 mil) ao campeão, Mark Selby, que sucede a Ronnie O’Sullivan (18-8 a Kyren Wilson na final de 2020), e £200 mil (€230 mil) ao ‘vice’, Shaun Murphy.

 

Final do Mundial, esta 2.ª feira (campeão a negro):

Mark Selby-Shaun Murphy, 18-15

Ler Mais
Comentários (1)

Últimas Notícias