Marcelinho recorda golo ao SC Braga e tempo passado no Ludogorets

Liga Europa 21-10-2021 14:27
Por Pedro Cadima

Com 37 anos, Marcelinho voltou à sua Amazónia, joga a Série B Amazonense, no Operário. Podem chamá-lo búlgaro na selva tropical brasileira ou na terra natal de Manacapuru, pois o médio-ofensivo foi estrela durante nove épocas do Ludogorets.

Nas suas origens é também lembrado como o 'moleque' que era funcionarário nos 13/14 anos de uma fábrica de vassouras e limpava os autocarros. Chegou à Bulgária e ganhou nove campeonatos. Foram 325 jogos e 93 golos. Decisivo, fez-se internacional búlgaro a partir de 2016 e viu o clube retirar a camisola 84. É o mais notável da saga esplendorosa do Ludogorets, dez anos de primeira divisão e dez títulos de campeão.

Marcelinho falou com a A BOLA até porque a sua história se cruza diretamente com o SC Braga, assinou o golo búlgaro no empate com o SC Braga em Razgrad em 2017/18.
 

«Assinei por um clube que tinha subido e se estava a estruturar. Mas com um presidente apaixonado por futebol, que queria conquistar tudo. Usou essa frase no primeiro almoço. Achavam impossível, mas acabamos por ganhar realmente tudo. Foi um ano de muito sucesso, depois crescemos e evoluímos sem parar. Passamos a ser cobrados para não dar hipótese no campeonato. O presidente não se contém», destaca o brasileiro, tocando na dimensão extraordinária de Kiril Domuschiev, um milionário do reino farmacêutico e um presidente que foge, felizmente, às ligações perigosas e associações mafiosas que marcaram o futebol búlgaro entre 1995 e 2007, num registo de 15 presidentes assassinados de diferentes formas. Seis deles presidiam ao Lokomotiv Plovdiv. A Bulgária estranhou o protagonismo apressado do Ludogorets, proveniente de uma cidade secundária do país.
 

SC Braga «ligado e esperto»
 

Para já o presente do Ludogorets, que conta com os portugueses Josué e Claude Gonçalves, passa pela Liga Europa, sendo imperioso vencer hoje o SC Braga, depois de um só ponto conquistado nos primeiros dois jogos. Marcelinho está atento e carrega a experiência de defrontar os minhotos e marcar em Razgrad. E de os vencer em Portugal.
 

«Espero um jogo muito difícil. O Ludogorets está hoje muito mais conhecido na Europa e monta sempre equipas fortes. Ninguém joga contra eles de ânimo leve. Quando foram esses jogos com o SC Braga em 2017/18 havia conhecimento, mas não tão profundo», conta, identificando os méritos de uma vitória na Pedreira e um empate em casa.
 

«Ganhámos bem em Braga. Lembro que fomos felizes na mudança de esquema, fomos com três centrais e não era normal jogarmos assim. Mas a equipa conhecia-se bem, jogávamos juntos há muito tempo. O SC Braga sentiu isso, a nossa qualidade veio ao de cima e o triunfo foi justo. Em Razgrad já veio um SC Braga muito mais concentrado. Saímos na frente, marquei ao Matheus numa recarga, mas eles empataram com naturalidade, num jogo bem disputado. Também o espero agora e aviso para um SC Braga muito mais ligado, esperto, consciente da força contrária», sinaliza o brasileiro naturalizado búlgaro.
 

«Foram muitos jogos na Champions e Liga Europa. Grandes jogos com o SC Braga, essa vitória em Portugal é um dos grandes momentos, mas outros foram defrontar Paris-SG, Liverpool, Real Madrid, Arsenal, Milan, Inter ou marcar à Lazio e Bayer Leverkusen. E também chegar na seleção búlgara e marcar a Portugal na minha estreia em Leiria. Deu para ganhar!», exulta, comparando identidades, apesar do Ludogorets manter a sua aura vencedora.
 

«Nos primeiros anos era uma equipa muito mais leve, estilo tiki taka, uma forma muito bonita de se jogar, evitava-se o contacto, jogávamos muito próximos. Agora é muito mais futebol de força e contacto, o físico decide mais. Vejo alguns jogadores a destacarem-se, espero que assumam isso e ajudem a equipa a vencer o SC Braga», sublinha.

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