Credores do Sporting querem deixar o clube. Novo Banco e BCP procuram compradores da dívida (com áudio)

Banca e Seguros 21-05-2021 12:13

A "Bloomberg" revela esta sexta-feira que os dois bancos contrataram um banco de investimento para encontrar compradores para parte das dívidas do clube de Alvalade. Novo Banco e BCP são os dois maiores credores da SAD do Sporting.

José Varela Rodrigues

Apesar do sucesso desportivo esta época, o Sporting continua a passar por dificuldades financeiras. De acordo com a “Bloomberg”, o Novo Banco e o Banco Comercial Português (BCP), que são titulares de dívidas do Sporting, contrataram o banco de investimento Rothschild & Co. para encontrar compradores para parte das dívidas do clube de Alvalade.

A agência de informação económica e financeira, que cita fonte próximas do processo, escreve que em causa estão créditos que serão convertidas em capital em 2026, caso o clube presidido por Frederico Varandas não pague aos credores Novo Banco e BCP. Ou seja, se dentro de cinco anos o clube não reembolsar os credores, os dois bancos poderão converter os títulos de dívida em ações da SAD, provocando uma diminuição da participação dos restantes acionistas da SAD leonina (o clube, a Holdimo de Álvaro Sobrinho e a Olivedesportos de Joaquim Oliveira). Por isso, o objetivo da venda da dívida que o BCP e o Novo Banco detém do Sporting é para evitar que os bancos se tornem acionistas.

No último relatório e contas semestral, relativo ao período de julho a dezembro de 2020, a SAD do Sporting reportou dívidas ao Novo Banco e ao BCP, no valor de 37 milhões de euros de empréstimos bancários. A esse valor acresce 63 milhões de euros em factoring com os dois bancos e a empresa Sagasta.

A intenção dos bancos liderados por António Ramalho e Miguel Maya venderem a dívida que detêm do Sporting, surge cerca de um ano e meio depois de o Sporting ter reestruturado os contratos de financiamento que tem com o Novo Banco e com o BCP. Em outubro de 2019, a SAD do clube de Alvalade comunicara ao mercado que pagara todas as dívidas vencidas aos dois bancos, após uma alteração dos termos da opção de compra dos Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC), o que resultou num “perdão” de 94,5 milhões da dívida.

Em causa estavam VMOC no valor de 135 milhões de euros. Feita a reestruturação, foi “fixado um preço unitário fixo correspondente a 0,30 cêntimos por VMOC, obrigatoriamente extensível à totalidade dos VMOC denominados ‘Valores Sporting 2010’ e ‘Valores Sporting 2014’, que sejam detidos pelos bancos à data do exercício da opção de compra, sujeito à obrigação de utilização exclusiva dos saldos futuros das Contas Reserva para aquisição de VMOC”.

Ora, o preço correspondia obrigatoriamente à totalidade dos VMOC. Assim, a SAD do Sporting teria de desembolsar apenas 40,5 milhões em vez de 135 milhões de euros para comprar a totalidade dos VMOC, o que se traduziu num “perdão” de 94,5 milhões de euros.

O acordo com os dois maiores credores dos verde e brancos foi “muito importante para a saúde financeira do Sporting”, segundo o vice-presidente do Sporting, Francisco Salgado Zenha. Refira-se, contudo, que dois meses depois os leões falharam o pagamento dos juros dos VMOC devido aos prejuízos relativos à época 2018/2019.

No caso do Novo banco, de acordo com o “Expresso” em setembro de 2020, os VMOC do Sporting custaram ao Novo Banco 186 milhões de euros entre 2014 e 2018, segundo uma auditoria da Deloitte à atividade e contas do banco. A maior parte das perdas remontavam à era do Banco Espírito Santos, embora parte dos VMOC tenham sido subscritos no final de 2014 – já no tempo do Novo Banco.

A intenção dos dois maiores credores do clube de Alvalade venderem parte da dívida do clube ocorre numa altura em que o Sporting se sagrou campeão nacional de futebol, pela 19.ª vez. O primeiro título em 19 anos. O título e o consequente apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, na temporada 2021/2022, poderá vir a representar uma melhoria das contas do clube, no rescaldo da época 2020/2021, atenuando os efeitos da pandemia.

No primeiro semestre da temporada 2020/2021, o Sporting registou prejuízos de 6,9 milhões de euros. O clube justificou as perdas com o impacto da pandemia, tendo em conta que os jogos  foram todos à porta fechada, impossibilitando a venda de bilhetes. O contexto pandémico afetou também o mercado de transferências.

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