«Posso andar aqui mais oito anos»

CANOAGEM 21-09-21 10:57
Por Célia Lourenço

Fernando Pimenta chegou ao Porto sem malas, mas ostentando orgulhosamente as medalhas de ouro e prata conquistadas em K1 1000 m e K1 5000, respetivamente, no Mundial de Copenhaga.

Mundial que, sublinhe-se, foi o melhor de sempre da canoagem nacional, graças ainda aos contributos de Francisca Laia/Messias Batista, que subiram ao 2.º lugar do pódio em K2 200 misto, tal como João Ribeiro em K1 500 e Norberto Mourão, bronze na paracanoagem.

«As medalhas vêm sempre comigo, pelas malas posso esperar, mas convém que não por muito tempo porque vou de férias», disse o campeão mundial da categoria rainha da modalidade, que já reforçara o quão desgastado estava pela época exigente com Jogos Olímpicos e Mundiais, cujos calendários só se cruzaram por contingências da pandemia. «É um orgulho imenso saber que a minha família e amigos estão superfelizes. Nem todos conseguiram deslocar-se aqui, mas todos me dão força para continuar esta senda de bons resultados», ressalvou Pimenta, à chegada, já mais resignado com a prata da véspera.

Os 22 centésimos que o afastaram do ouro nos 5000 metros ainda ecoavam num cantinho da mente habituada a dar ordem de trabalho para vitórias.

«Ainda ontem estava a confidenciar com o vice-presidente da federação que ficou o amargo de boca por não ter conseguido o ouro por 22 centésimos. Ter-nos-ia feito passar à frente dos nossos vizinhos espanhóis», disse o canoísta do Benfica.

Sempre disposto a «desafiar os próprios limites», não esconde a pretensão de continuar a aumentar o espólio de 108 medalhas até perto dos 40 anos. «Tenho 32, ainda posso andar na alta competição mais oito. Vai depender do estado mental, dos apoios para me manter motivado e, claro, do físico», vincou.